quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Felicidade segundo Einstein


Uma das notas escritas por Einstein em 1922. 
MENAHEM KAHANA / AFP


As duas cartas de Einstein leiloadas em Jerusalém. 
MENAHEM KAHANA / AFP


A pequena reportagem de El País (Jerusalém 25 OUT 2017) traz curioso título: 1,56 milhão de dólares pelo segredo da felicidade de Einstein.
Duas notas escritas à mão pelo cientista Albert Einstein foram leiloadas em Jerusalém por 1,56 milhão de dólares (5 milhões de reais), multiplicando por 200 o preço de venda estimado, que oscilava entre 5.000 e 8.000 dólares, segundo anunciou a casa de leilões Winner. Nos manuscritos, datados de 1922, Einstein explica qual é o segredo de uma vida feliz.
                  A primeira nota, escrita em 1922 em Tóquio, momento em que realizava várias conferências no país, registra:

"Uma vida tranquila e modesta contribui mais para a felicidade do que a busca do sucesso vinculada a uma agitação permanente".

            O segundo escrito:

"Onde há vontade, há um caminho".

Diz a reportagem: “Einstein escreveu as notas como gorjeta para um carteiro do Hotel Imperial de Tóquio, onde se hospedava. Não se sabe se o mensageiro recusou a gorjeta de verdade, uma atitude comum nos costumes do Japão, ou se Einstein não tinha dinheiro neste momento, mas o astrofísico decidiu entregar os dois escritos, afirmou o vendedor, um familiar do mensageiro.”
O comprador das notas, residente em Hamburgo, afirma que quando Einstein entregou os papéis ao carteiro disse: "Espero que estas notas acabem sendo bem mais valiosas que uma simples gorjeta".
Moral da história: quem tem fama deita na cama.






terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Origem do Mundo em HQ



A ilustração acima foi publicada na primeira página do caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo do último domingo (22/10/17), e como não foi reproduzida na Internet, fica aqui registrada. Ela faz parte do HQ “A Origem do Mundo”, de Liv Stromquist. (O título é o mesmo do quadro de Courbet, exposto no Museu d’Orsay). (http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/2017/09/liberdade-de-expressao-sempre.html)
O livro da cartunista (e ativista) sueca é uma “história cultural da vagina”, e será publicado pela Companhia das Letras em março próximo. Na Suécia já vendeu 40.000 exemplares.
No entanto, a reportagem da Folha que traz a ilustração é assinada por Tati Bernardi, e fala do novo livro Viva a Vagina, de Nina Brochmann e Elle Stokken Dahl (Editora Paralela). Afirma a colunista: “Nina e Ellen, amigas e estudantes de Medicina em Oslo, resolveram falar abertamente (ops!) sobre o nosso maravilhoso aparelho genital. A famosa luz no fim do túnel quando nascemos e também quando já estamos quase desistindo de tanta angústia na adolescência e...tcharam! Descobrimos o desejo, o clitóris, o outro, o sexo e, talvez, o amor.”
O tema é atualíssimo, em meio aos protestos mais conservadores contra a liberdade de expressão. O que impressionou mesmo o Louco foi a ilustração acima, de Liv Stromquist!

Some we love, some we hate, some we eat

Em sua coluna do último domingo (22/10/2017) para a Folha de S. Paulo, Dá para ser ético com animais?, Hélio Schwartsman, logo de início coloca para os não-vegetarianos a desconfortável questão:

“Se você é um ser humano com bons sentimentos, provavelmente se opõe à vaquejada, uma forma de exploração animal que, embora não resulte na morte do bovino, estressa-o e pode feri-lo. Mas, se somos contra a vaquejada, como admitimos o hambúrguer?”

Em seguida o colunista faz referência ao livro de Hal Herzog, que traz o curioso título Some We Love, Some We Hate, Some We Eat (alguns nós amamos, alguns odiamos, alguns comemos). Através de pesquisas científicas e histórias envolvendo humanos e não humanos, ele trata da antrozoologia, a nova ciência que estuda as interações entre pessoas e animais.
A coisa complica quando questões éticas são formuladas: “Quais são nossas obrigações para com animais? Podemos mantê-los como pets? Utilizá-los em experiências científicas? Comê-los? Matá-los para evitar zoonoses? E se for para nossa diversão, como nas rinhas de galo?”
Afirma Schwartsman: “A conclusão a que Herzog chega é inequívoca: a única consistência na forma como nos relacionamos com animais é a inconsistência. Qualquer que seja a posição ética que adotemos, ela levará a paradoxos.”
            Esta resposta evidentemente é insatisfatória. Fui buscar então no excelente Vocabulário da Psicanálise, de Laplanche e Pontalis (Martins Fontes, 2001), a definição de Clivagem do Ego:

“Expressão usada por Freud para designar o fenômeno muito particular – que ele vê operar sobretudo no fetichismo e nas psicoses – da coexistência, no seio do ego, de duas atitudes psíquicas para com a realidade exterior quando esta contraria uma exigência pulsional. Uma leva em conta a realidade, a outra nega a realidade em causa e coloca em seu lugar uma produção do desejo. Estas duas atitudes persistem lado a lado sem se influenciarem reciprocamente.”

            Dois conceitos fundamentais em Psicanálise (e que interessam à compreensão do comportamento humano) são aqui apresentados: a “exigência pulsional” e a “produção do desejo”.
            Ora, sabe-se, em pouquíssimas palavras, que o consumo de carne para o humano mais primitivo foi fator decisivo para sua evolução, já que havia menos trabalho digestório e mais sangue para irrigar o cérebro, que assim pôde desenvolver-se. Podemos pensar que tal fato, ao longo de milhares de anos, tornou-se exatamente uma exigência pulsional. E não é difícil imaginar que em certa altura da evolução do Homo sapiens surge o desejo de ingerir um suculento pernil!
            Não é fácil abrir mão deste comportamento tão primitivo, o de comer carne (verdadeira pulsão, ou instinto, embora haja muita discussão sobre o emprego desses dois termos). Penso, porém, que há suficiente consistência, ao contrário do que afirma Schwartsman, nos conceitos estabelecidos por Freud, especialmente nos artigos Fetichismo (1927), A divisão do ego no processo de defesa (1938) e em Esboço de psicanálise (1938). Vale a pena conferir.




            

sábado, 21 de outubro de 2017


Luiz Munhoz / Folhapress


Volto ao amor pelos dicionários.
            Depois da postagem Amor ao dicionário, (http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/2017/10/amor-ao-dicionario.html)
encontro na Folha de S. Paulo (21/10/2017) declaração de Elizabeth Roudinesco, 73, que não posso deixar de registrar.
            A reportagem é de Betty Milan, que entrevista a psicanalista, historiadora e escritora francesa a propósito do lançamento do Dicionário Amoroso de Psicanálise (sem previsão de lançamento no Brasil).
            O "dicionário amoroso" trata de diferentes temas, “para mostrar como a psicanálise se nutriu de literatura, cinema, teatro, viagem e mitologia para se tornar uma cultura universal”. Roudinesco se debruçou sobre livros e textos como A Consciência de Zeno (um dos melhores livros que já li), O Segundo Sexo; sobre figuras como Sherlock Holmes e Marilyn Monroe; sobre cidades e a relação com a psicanálise, como Nova York, Buenos Aires, Rio.
            A entrevistadora pergunta:

Folha - É seu segundo dicionário. A sra. parece gostar deles.

Elisabeth Roudinesco - Gosto muito da forma do dicionário, das listas. Minha primeira leitura foi o dicionário porque meu pai era um devorador de dicionários. Há diferentes tipos de dicionário, os da língua, as enciclopédias. Também gosto muito da internet.

            Aqueles que apontaram minha neurose pela tara por dicionários na citada postagem, agora devem incluir Roudinesco no mesmo saco.
            Interessante que a grande intelectual francesa cita ainda sua predileção pelas listas. A literatura está repleta delas, as listas, incluindo autores como Umberto Eco. O tema já esteve presente neste blog. (http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/search/label/Listas)
            Parece que para essas pessoas há uma necessidade de ordenamento; ordem, não no sentido moral (a Ordem e Progresso da bandeira), mas no sentido de sequência, da continuidade, não sei se posso afirmar no sentido matemático: 1, 2, 3... Não tenho opinião formada sobre o assunto.
            Talvez listar coisas ou palavras transmita alguma tranquilidade, alguma paz. Como as listas geralmente são formuladas por escrito, eu as incluo no rol da Escrita Terapêutica.
            Listar acalma!

Peixes de água doce:

Tucunaré
Dourado
Surubim
Abotoado
Acará
Barbado
Bicudo
Dourada
Lambari
Mandi
Matrinxã
Pacu
Pintado
...

            Enfim, cada doido com sua mania: Eco, Roudinesco, Sérgio Rodrigues, eu e tantos outros, adeptos da Escrita Terapêutica, mesmo que não tenham consciência de que, o que fazem ao escrever, é terapia.