segunda-feira, 5 de junho de 2017

sábado, 3 de junho de 2017

Sinal dos tempos

A foto do dia



As esposas de presidentes de Governo e dirigentes de República, incluindo a rainha Matilde, da Bélgica, e Gauthier Destenay, marido de Xavier Bettel, primeiro-ministro de Luxemburgo.

Foto : Sascha Steinbach

terça-feira, 16 de maio de 2017

Amós Oz e o bom leitor


            Todos que se interessam pela Literatura algum dia já enfrentaram a questão: o que é um bom leitor? E, em oposição, um mau leitor, o que é?
            Pois Amós Oz, em seu magnífico livro De amor e trevas (Companhia das Letras, 2005), trata do assunto logo no quinto capítulo, e de uma forma brilhante, intensa, arrebatadora, violenta mesmo.

“O mau leitor é um tipo de amante psicopata que pula em cima e rasga a roupa da mulher que cai em suas mãos. E quando ela já está completamente nua, ele continua em sua sanha e arranca sua pele, impaciente, joga fora sua carne e, por fim, quando já está chupando seus ossos com os dentes grosseiros e amarelados, só então é que se dá por satisfeito: Cheguei. Agora estou dentro, bem dentro. Cheguei.”

            Mais adiante, Oz explica melhor do que se trata:

“Quem procura a essência de um conto no espaço que fica entre a obra e o seu autor comete um erro: é muito melhor procurar não no terreno que fica entre o escritor e sua obra, mas  justamente no terreno que fica entre o texto e seu leitor.”         

            Oz alerta que, de fato, há também o que procurar entre a obra e o autor; além da pesquisa biográfica, há o que ele chama de “valor mexerical agregado”; afirma que a “fofoca é a prima pobre da literatura”.
            Porém, ele destaca que a essência da leitura se processa entre a obra e o leitor, daí a ideia de que cada leitor lê seu próprio livro. É isso que torna a Literatura este universo tão vasto, quase infinito.
            Tal conceito justifica plenamente – ou vice-versa – a afirmação de Antonio Candido, recentemente falecido, de que “a literatura é, ou ao menos deveria ser, um direito básico do ser humano, pois a ficção/fabulação atua no caráter e na formação dos sujeitos”.
            O que pensar então de um país como o Brasil, com aproximadamente 14 milhões de analfabetos absolutos e 35 milhões de analfabetos funcionais? Segundo o IBOPE (2005), o analfabetismo funcional chega a tingir 68% da população. O censo de 2010 revelou que uma entre quatro pessoas é analfabeta funcional. Na Região Nordeste a taxa chega a 30,8% da população.
            A quantas anda o caráter e a formação desta população? Como esperar que exerçam satisfatoriamente o direito de votar, para escolher seus representantes políticos, dirigentes da nação?
Assim, para onde vamos?


Paula fotógrafa

A foto do dia


Na Grande Barreira de Corais, Austrália

Foto: Paula Vianna, abr 2017.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

De crônicas e cronistas

            
            Quando surge um novo cronista nos jornais de grande circulação  pergunto logo Será que emplaca? Quero dizer, será que o cara é bom?, vai dar conta do recado?, escrever semanalmente não é fácil, escrever bem, semanalmente, é mais difícil ainda, ou vai durar umas poucas semanas, substituído por alguém mais competente?
            Leio esses novatos com interesse e genuína curiosidade, além de exercer o pobre espírito crítico de que disponho. Admito desde já meu sentimento de inveja, pois gostaria de estar no lugar deles e enfrentar o desafio eu mesmo.
            Desta vez me refiro a Marcius Melhem, ator e humorista, agora colunista do caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo, aos domingos. Que responsabilidade, meu deus!
            Pois a crônica de hoje (14 mai 17), Dia das Mães, intitulada Vó Eduarda, pareceu-me ótima! Melhem escreve com correção, o que é fundamental, mas tem boas histórias para contar, o que o torna, até agora, um bom cronista.
            Não é fácil escrever sobre questões familiares (memorialista era o Pedro Nava, que já morreu), além do que tais histórias são limitadas. Mas a da Vó Eduarda vale a pena conferir.
            Vó Eduarda, com cinco filhos, o mais novo com dois meses, moradora de Nilópolis, Rio de Janeiro, nos idos de 1930, separou-se do marido para viver um grande amor: foi morar com Olga, com quem viveu grande paixão durante 40 anos.
            Que história! O leitor não precisa de mais nada para ensolarar sua manhã de domingo.
Parabéns, Marcius Melhem.