sábado, 4 de fevereiro de 2017

Violência no Império


           O excelente Histórias da gente brasileira, Império, volume 2, de autoria de Mary Del Priore (Leya Editora, 2016), dá uma ótima ideia da situação em que vivia o povo nas diversas regiões do Brasil, e em particular da violência que grassava nos tempos do Império.
Priore nos conta o que foi a Balaiada, no Maranhão, na primeira metade do século XIX, “tempos de barbárie”, segundo ela. O relato que se segue é bem ilustrativo.
Manoel dos Anjos, o Balaio, atentou contra a honra da filha do major Juvêncio que, revoltado, “golpeou” o Balaio no rosto. O revide foi imediato. Transcrevo registro do acontecido efetuado por Viriato Correa, a partir de documento deixado pelo historiador maranhense Jerônimo de Viveiros:

“O Balaio, no meio da varanda, estava lívido, estarrecido, o olhar encima do fazendeiro chispando... João Vitório e Guariba, dois facínoras que acolitavam o chefe, atiraram-se a Juvêncio...  – Não matem! Segurem o homem apenas! Eu mesmo quero vingar. Nunca ninguém me deu na cara. Levem o velho para fora, aí na frente de casa. Balaio prepara-se para atirar na cara do major, mas, rápido, tem uma lembrança e manda que dispam o velho, tragam uma agulha de saco, fio forte, uma faca e o leitãozinho que há pouco tinha recebido de presente. A sorrir, passou a mão pelo ventre de Juvêncio, e foi um golpe só, golpe firme de cirurgião, do estômago às virilhas. Com a mão esquerda pôs para fora as vísceras da vítima, e com a direita, empurrou-lhe o leitão ventre adentro. O animal esperneou em arrancos, guinchando desesperadamente. – Ajuda aqui, Ruivo, depressa! Calca, enquanto eu coso. E foi cosendo, cosendo toda a ferida... Vinham lá de dentro do ventre sangrento, cada vez mais abafados, cada vez mais surdos, os grunhidos do porquinho. Cenas horripilantes repetiram-se na Balaiada, espalhando o terror por todas as fazendas do rico vale do Itapicuru.”

            Nem mesmo Quentin Tarantino seria capaz de imaginar cena de tamanha violência e crueldade. O episódio em si, por mais repugnante que seja, deu-me o que pensar e pode ser resumido numa frase: O Desejo De Colocar Um Bicho Dentro Do Outro. Para o Balaio, todos não passavam de bichos, alguns disfarçados de gente. E ele desejava que seu inimigo engravidasse de um porco, que gerasse um porco, e parisse um porco, em vez da cobiçada e proibida moça, filha do major. Vingança maior não poderia haver.
            Segundo Priore, este era o estado de coisas na época: povo bruto, violento, ignorante, sujo, bárbaro. Nossos primórdios. Ao tomarmos conhecimento deles, compreendemos melhor o presente. Este o papel da História.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

limoeiro



perfumada e branca
dará o fruto mais azedo
flor do limoeiro

Foto: A.Vianna, jan 2016, jardim

            E o poeta Paulo Sergio transforma o haicai em bela quadrinha, "ao gosto popular":



Lisa e verde, a folha,
alva e perfumosa, a flor.
Doce à visão de quem olha,
mas azedo o seu sabor.

Vale do Rio Omo


O fotógrafo Haroldo Castro, da Viajologia (viajologia.com.br), revela imagens belíssimas de suas viagens exóticas. Esta acima, ele tirou dos povos do Vale do Rio Omo.
Afirma Haroldo:

"Doze diferentes etnias vivem no Vale do Rio Omo, na Região das Nações, Nacionalidades e Povos do Sul, na Etiópia. Alguns são agricultores e outros continuam a tradição seminômade pastoril. Cada povo possui uma maneira diferente de se vestir e decorar seu corpo. Em 2010 e em 2015, visitei uma dúzia de vilarejos e tive contato com as etnias Hamer, Arbore, Karo, Tsemay, Bana, Ari, Mursi, Konso e Dorze. Planejo regressar em abril com um grupo de viajantes experientes.

Entardecer

Meus quadros favoritos


Theo van Rysselberghe