segunda-feira, 4 de julho de 2016

Câmara de vereadores vira templo



A reportagem de hoje (4/7/2016) de Bruno Ribeiro e Edison Veiga para O Estado de S.Paulo traz um título no mínimo escandaloso: “Câmara dos Vereadores vira “templo” uma vez por semana em SP”.
A Câmara Municipal de São Paulo tornou-se o endereço de pelo menos um encontro religioso por semana neste ano. Acrescentam os repórteres: “Levantamento feito pelo Estado na agenda de eventos do Cerimonial da Câmara mostra que a Casa foi sede de 24 atos de cunho religioso entre janeiro e junho (praticamente um por semana), com custos pagos pelo Legislativo. Os vereadores e entidades envolvidas dizem que exercem a liberdade de expressão nesses encontros e afirmam não cometer ilegalidade. Especialistas em Direito Constitucional ouvidos pela reportagem discordam.”
Há pregações com o seguinte teor: “Se alguém vier falar para vocês que o islamismo é uma religião de paz, é mentira. Eles fazem todo cristão renunciar a Jesus Cristo. Todos são convocados para a matança de cristãos”.
Temas políticos também são abordados: “Quero pedir perdão. A gente sabe que existe algo chamado Foro de São Paulo, e sabemos que nosso governo atual (na época, de Dilma Rousseff) está envolvido nisso. Nós Te pedimos perdão por alianças com países que estão tentando implantar o comunismo, que já estão em processo de doutrinação desde a época em que houve ditaduras em toda a América Latina. Pedimos que tende piedade de nós, porque essa é uma doutrina feita por um satanista chamado Karl Marx”.
Assuntos ligados aos direitos civis não poderiam faltar: “Pedimos perdão por todo tipo de casamento gay, de doutrinação”.
A Presidência da Câmara informa que os assuntos tratados nos encontros são de responsabilidade dos vereadores
            O Louco tem dificuldade para analisar tais fatos, pelo enorme mal estar – a beirar a náusea – que lhe causam.
O país é laico, todos sabemos, porém a existência de bancada religiosa cada vez mais poderosa no parlamento assusta quem deseja a religião fora da Política. É o fundamentalismo a intrometer-se em local onde deveria prevalecer a Razão.
            Um verdadeiro escândalo, um a mais, num país de escândalos.





Foto: TV Câmara


julho no cerrado


impiedosa seca
vento frio, céu nublado
na manhã de inverno

Passo para o post o "comentário" de meu irmão, que aprecia as quadras:


Junto com julho, a secura
vento frio, céu nublado,
o verde não se segura,
e surge o capim dourado.


Foto: A.Vianna, jul 2016, jardim.

sábado, 2 de julho de 2016

ipê mais lindo



o ipê florido do meu jardim
é o ipê mais lindo do mundo
porque é o ipê do meu jardim

Foto: A.Vianna, jul 2016, jardim.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Mosaico escondido

A foto do dia



Mosaico escondido por quase mil anos, em local onde Jesus teria nascido.

Reprodução BBC




Clésinger

Da série
Primavera em Paris










Escrever à mão faz bem à saúde

Com o sugestivo título “Não acabem com a caligrafia: escrever à mão desenvolve o cérebro”, o pediatra Dr. Perri Klass (New York Times, 25/06/2016, por Fernando Donasci para UOL)
recomenda cuidado para que o mundo digital não anule experiências significativas para o desenvolvimento das crianças.
Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington, em artigo publicado este ano no The Journal of Learning Disabilities, mostra como a linguagem oral e escrita se relaciona com a atenção e com o que é chamado de habilidades de "função executiva" (como planejamento) em crianças do quarto ao nono ano. As pesquisas sugerem que "escrever à mão – formando letras – envolve a mente, e isso pode ajudar as crianças a prestar atenção à linguagem escrita".
Em artigo no Journal of Early Childhood Literacy, Laura Dinehart, professora de Educação da Primeira Infância na Universidade Internacional da Flórida, afirmou que “em uma população de crianças pobres, as que possuíam boa coordenação motora fina antes mesmo do jardim da infância se deram melhor mais tarde na escola. Esse mito de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora simplesmente está errado. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planejamento motor, o controle motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, os giros fusiformes, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas.”
Parece, portanto, que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.
O artigo acrescenta: “Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana, escaneou o cérebro de crianças que ainda não sabiam caligrafia. "Seus cérebros não distinguiam as letras; elas respondiam às letras da mesma forma que respondiam a um triângulo", conta ela. Depois que as crianças aprenderam a escrever à mão, os padrões de ativação do cérebro em resposta às letras mostraram mais ativação daquela rede de leitura, incluindo os giros fusiformes, junto com o giro inferior frontal e regiões parietais posteriores do cérebro, que os adultos usam para processar a linguagem escrita – mesmo que as crianças ainda estivessem em um estágio muito inicial na caligrafia.”
Estudos sobre anotações feitas à mão sugerem que "alunos de faculdade que escrevem em teclados estão menos propensos a se lembrar e a saber do conteúdo do que se anotassem à mão", conta Laura Dinehart.
            O Louco acrescenta: escrever à mão é terapêutico!
            Em verdade, tenho afirmado que escrever é terapêutico. Escrever à mão, em vez de usar o teclado, acrescenta alguns elementos. Em geral o manuscrito é mais lento em sua execução, e consequentemente aquele que escreve tem mais tempo para pensar. Se a escrita torna-se mais lenta e mais “pensada”, pode ter efeito tranquilizador.
            Lamento profundamente que tenhamos perdido o hábito de escrever cartas à mão.
            Aproveito para relatar aqui uma experiência pessoal que ainda me é grata, depois de tantos anos. Meu pai sempre teve uma bela caligrafia. Já idoso, pedi-lhe que escrevesse meu próprio nome numa folha em branco; escaneei-a e fiz dela meu cartão de visitas. Sempre que o apresento a alguém (o que é raríssimo hoje em dia), recebo elogios, Que cartão lindo!, e então explico que a letra é de meu pai.