quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Caminho do olhar


Acabo de receber, com enorme satisfação, do ex-aluno, colega e amigo, Dr. Carlos Viegas, o precioso livrinho intitulado Caminho do olhar – Haicai, da editora Araucária Cultural (2014).
            Natural de Abadia, MG, Viegas é mestre e doutor em Pneumologia e Medicina do sono, e professor da Universidade de Brasília.
            Apresenta-se como aprendiz de poeta do haicai, mas quem ler seu livro há de concordar comigo: ele domina o gênero com maestria.
            Viegas, na grande maioria de seus haicais, segue a tradição clássica desse tipo de poema, apresentando como tema central a natureza. Os poemas são distribuídos em quatro grupos, correspondendo às quatro estações do ano.
Quase sempre o poeta obedece a métrica igualmente clássica dos três versos, com respectivamente 5, 7 e 5 sílabas. Os poemas não apresentam um título, o que também acompanha a tradição original do haicai.
            Eis um belo exemplo:

silêncio profundo –
entre o céu e a montanha
surge um arco-íris

            Seguem outros exemplos:

final de tarde –
o grito da saracura
perto do banhado


um tiro ao longe –
rasga o céu de anil
azulão-da-serra


            Este blogueiro cultiva com carinho o haicai: são 136 deles, publicados até agora. É com prazer que encontro no livro de Carlos Viegas alguns haicais muito semelhantes aos aqui apresentados, motivo de orgulho para o Louco!
Parabéns, Dr. Viegas!


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Filme bom 2



Depois do estrondoso sucesso da classificação de filmes pelo Louco (http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/2015/08/filme-bom.html), volto ao tema, depois de ver um outro bom filme. A comparação com os outros dois citados na postagem anterior (Que horas ela volta? e O homem irracional) torna-se inevitável.
            Antes, desejo acrescentar à minha classificação alguns elementos que influenciam decisivamente em qualquer avaliação. O primeiro deles diz respeito ao estado de espírito do expectador antes de entrar no cinema. A relação é óbvia: bem humorados, a possibilidade de gostarmos do filme aumenta muito!
            O segundo fator relaciona-se com nossa motivação para ir ao cinema. Vamos ao cinema pelo enredo do filme, vamos também pelo diretor. É o caso do Woody Allen: filme dele a gente tem que ver (mesmo se for ruim...). O mesmo se dá com Lars von Trier, diretor dos fantásticos Anticristo, Europa, Melancolia, além do monumental Dogville.
Às vezes vamos pelo protagonista: as mulheres não perdem filme do belezinha da América, garoto propaganda da Nespresso, o tal de George Clooney. Antigamente os homens iam ao cinema apenas – o que não era pouco – para ver Brigitte Bardot, Sophia Loren ou Gina Lollobrigida. Para as mulheres, Alain Delon, Marlon Brando, Paul Newman.
Há uma terceira condição, na qual vamos ao cinema apenas em busca de diversão, para passar o tempo, sem a mínima expectativa quanto a qualidade do que vai ser visto. Ou nos decepcionamos, o que é raro, ou saímos recompensados, porque estamos ainda mais felizes – o que também não é pouco!
A nossa ida ao cinema para ver Ricki and The Flash teve um tanto desta última condição, mas também o desejo de rever Meryl Streep, a atriz dos 1001 papeis. E valeu a pena!
A historinha é banal, com um bom toque de feminismo, o que pouco importa. O desempenho de Meryl, no papel de uma roqueira velha que larga a família pela carreira de cantora é espetacular. É a própria atriz quem canta as músicas, bem escolhidas, e canta muito bem! Enfim, carrega o filme nas costas, como se diz, ou na garganta. (É bom que se diga, ajudada pelo rock e seu contagiante e fantástico ritmo. Quem não gosta de rock/ bom sujeito não é/ é ruim da cabeça/ou tem muito chulé...)
Vamos, portanto, à nossa classificação, sempre comparando, um dos exercícios que aprendemos mais cedo na vida:

Que horas ela volta? ★★★★★

Homem irracional ★★

Ricki and The Flash ★★★

            Ou seja, Woody Allen continua apanhando...