quarta-feira, 9 de setembro de 2015

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Filme bom 2



Depois do estrondoso sucesso da classificação de filmes pelo Louco (http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/2015/08/filme-bom.html), volto ao tema, depois de ver um outro bom filme. A comparação com os outros dois citados na postagem anterior (Que horas ela volta? e O homem irracional) torna-se inevitável.
            Antes, desejo acrescentar à minha classificação alguns elementos que influenciam decisivamente em qualquer avaliação. O primeiro deles diz respeito ao estado de espírito do expectador antes de entrar no cinema. A relação é óbvia: bem humorados, a possibilidade de gostarmos do filme aumenta muito!
            O segundo fator relaciona-se com nossa motivação para ir ao cinema. Vamos ao cinema pelo enredo do filme, vamos também pelo diretor. É o caso do Woody Allen: filme dele a gente tem que ver (mesmo se for ruim...). O mesmo se dá com Lars von Trier, diretor dos fantásticos Anticristo, Europa, Melancolia, além do monumental Dogville.
Às vezes vamos pelo protagonista: as mulheres não perdem filme do belezinha da América, garoto propaganda da Nespresso, o tal de George Clooney. Antigamente os homens iam ao cinema apenas – o que não era pouco – para ver Brigitte Bardot, Sophia Loren ou Gina Lollobrigida. Para as mulheres, Alain Delon, Marlon Brando, Paul Newman.
Há uma terceira condição, na qual vamos ao cinema apenas em busca de diversão, para passar o tempo, sem a mínima expectativa quanto a qualidade do que vai ser visto. Ou nos decepcionamos, o que é raro, ou saímos recompensados, porque estamos ainda mais felizes – o que também não é pouco!
A nossa ida ao cinema para ver Ricki and The Flash teve um tanto desta última condição, mas também o desejo de rever Meryl Streep, a atriz dos 1001 papeis. E valeu a pena!
A historinha é banal, com um bom toque de feminismo, o que pouco importa. O desempenho de Meryl, no papel de uma roqueira velha que larga a família pela carreira de cantora é espetacular. É a própria atriz quem canta as músicas, bem escolhidas, e canta muito bem! Enfim, carrega o filme nas costas, como se diz, ou na garganta. (É bom que se diga, ajudada pelo rock e seu contagiante e fantástico ritmo. Quem não gosta de rock/ bom sujeito não é/ é ruim da cabeça/ou tem muito chulé...)
Vamos, portanto, à nossa classificação, sempre comparando, um dos exercícios que aprendemos mais cedo na vida:

Que horas ela volta? ★★★★★

Homem irracional ★★

Ricki and The Flash ★★★

            Ou seja, Woody Allen continua apanhando...


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Cura pela fé?

O título da reportagem de Paula Sperb para a Folha de S. Paulo desta sexta-feira (4/9) diz tudo: Universal é condenada a indenizar fiel no RS por prometer cura do HIV.
            Lucas (nome fictício), gaúcho de 36 anos, foi convencido pela Igreja de que se livraria do HIV só com a fé em Deus – e doações à Igreja, naturalmente.
Em 2005 ele descobriu que tinha o vírus e iniciou o tratamento médico. Fragilizado pela doença, Lucas passou a frequentar a Universal e quatro anos depois parou de tomar os remédios e passou a fazer sexo sem camisinha com sua mulher. Relata ainda que "Os pastores diziam que a medicina estava desatualizada, levavam testemunhos de gente que se curou de câncer, Aids. Quando as pessoas não aceitam doar seus bens, dizem que tem um espírito ruim que não está permitindo".
“Dois meses depois de interromper o tratamento, Lucas foi internado com pneumonia grave. Ficou em coma induzido por 40 dias e saiu do hospital após quatro meses, com metade do peso normal.” É o que afirma a repórter Paula Sperb.
            Por decisão judicial a Universal terá de pagar uma indenização de R$ 300 mil a Lucas, mas ainda pode recorrer ao STJ. Para a Justiça, "Não há nada contra a fé, mas contra a forma abusiva de induzir as pessoas a abandonar o tratamento em nome da fé", disse à Folha o desembargador Eugênio Facchin Neto. No acórdão, o juiz escreveu que a responsabilidade da Universal "reside no fato de ter se aproveitado da extrema fragilidade e vulnerabilidade em que se encontrava o autor, para não só obter dele vantagens materiais, mas também abusar da confiança que ele, em tal estado, depositava nos 'mensageiros'".
A Igreja Universal do Reino de Deus declarou que os pastores "apenas pregam a possibilidade de cura das enfermidades, de acordo com as orientações bíblicas, mas não prometem cura".
O juiz baseou sua decisão em um "conjunto de evidências, testemunhas, vídeos de cultos com depoimentos de cura e pedidos de doações, reportagens sobre extorsões de bens por pastores e até uma "aula" em que o bispo Edir Macedo ensina outros pastores a arrecadar dinheiro dos fiéis.”
            Não há dúvida de que a Universal irá recorrer da sentença. Com bons advogados, regiamente pagos com o dinheiro dos próprios fieis, é bem provável que a Igreja ganhe a causa, para desespero de Lucas e sua família.
Este, certamente, não é um caso isolado. A ignorância, a boa fé das pessoas, a fragilidade emocional ocasionada pela doença, o cenário “milagroso” muito bem urdido pela Igreja Universal do Reino de Deus são os principais fatores que levam a essas tragédias familiares.
            Só mesmo perguntando como o Papa Bento XVI, em visita ao campo de concentração de Auschwitz: “E Deus, onde estava?”



quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Poema sem palavras

Por quatro vezes este blogueiro esteve às voltas com a elaboração de capas de livros, em três vezes com livros de própria autoria e uma vez com a capa do excelente “Fica Limpo! – quase heresias”, de Paulo Sergio Viana. (O tema já foi motivo de postagem neste blog, com o título Capa de livro. http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/2014/12/capa-de-livro.html)
O número é ínfimo, é verdade, perto da experiência dos profissionais do ramo, os chamados capistas, mas foi suficiente para que ele constatasse quão difícil é a arte da construção de uma boa capa, perfeitamente casada com a obra.
A partir de então, ao visitar uma livraria, antes de mais nada ele observa as capas dos livros com olhar crítico, e encontra de tudo, desde capas horrorosas até verdadeiras obras primas.
Esta postagem é bem simples: tem como objetivo apenas compartilhar com meus raros e queridos leitores uma dessas preciosidades, recém publicada pela Ateliê Editorial (2015).
O título do livro: Antologia da poesia erótica brasileira, organização de Eliane Robert Moraes. Eis a capa:



As quatro estrofes do poema sem palavras compõem um soneto, com respectivamente 4, 4, 3 e 3 versos. A ideia gráfica, em sua espantosa simplicidade – 14 traços negros, grossos, feitos à mão com uma dessas canetas de marcação de texto, sobre um fundo vermelho – tem a função de provocar a curiosidade do leitor, ao sugerir a censura prévia dos versos.
Pura arte! O autor: Gustavo Piqueira (Casa Rex).
Caso o leitor se interesse pelo conteúdo...



Duas amigas

Em memória de minha mãe.

– O Rio de Janeiro está muito perigoso!
– Mas é tão bom parar num boteco e tomar um chope no balcão...


Laerte

Charge do dia!