Educar uma criança, eis
uma tarefa superior à força humana.
quarta-feira, 11 de março de 2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
Preferências
– Até parece que você
gosta mais de cachorro que de gente!
– Pois é, pelo menos eles
não me dizem essas coisas.
domingo, 8 de março de 2015
Pequenas considerações sobre Para sempre Alice
O filme, cuja
protagonista, Julianne Moore, ganhou o Oscar de melhor atriz, já é sabido,
trata de uma mulher, uma intelectual, acometida pela forma precoce do Mal de
Alzheimer.
Pior, a doença tem caráter
familial, os genes são transmitidos aos filhos na altíssima percentagem de 50%. Quando a filha
é comunicada desta terrível possibilidade, a reação dela não é proporcional à
catástrofe anunciada, tanto que em seguida ela engravida de gêmeos, por
inseminação artificial. Os embriões são selecionados, de modo que os filhos não
desenvolverão a doença. Mesmo assim, a mãe será acometida, pois o teste para o
mal foi positivo.
Concluo daí, e esta
conclusão não pretende esgotar o assunto, que a ameaça desta doença não
amedronta tanto os mais jovens quanto aterroriza os mais velhos. A razão deste
comportamento constitui lei da natureza. O homem aprendeu a defender-se de
todas as maneiras possíveis. O perigo não assusta tanto quando está mais
distante no tempo.
Para os idosos, Alzheimer
é um perigo iminente, constante, permanente, um susto cotidiano. Quando um
velho esquece um fato corriqueiro, o nome do autor de um certo livro, o diretor
ou o/a protagonista de um filme da moda, enfim, uma palavra qualquer, alguém da
mesa logo exclama, Olha o alemão! E o engraçadinho não faz ideia de como isso
ameaça o idoso. O mesmo fato do esquecimento ocorrido entre jovens passa
despercebido, trata-se apenas de simples falha da memória.
Talvez seja esta a razão
do grande impacto causado pelo filme, o fato inusitado de a doença poder acometer
uma pessoa em plena fase produtiva da vida. Alice era uma mulher brilhante. Os
velhos, de modo geral, já não o são.
O que não foi saqueado está perdido!
Depois de tomar
conhecimento pela mídia, e principalmente ver as imagens da destruição perpetrada
pelo autodenominado Estado Islâmico, do sítio arqueológico de Hatra, de 2.000
anos, e de Nimrud, cidade assíria fundada no século 13 a.C., tem gente dizendo,
Pena que ingleses, franceses e americanos não saquearam tudo que havia de
precioso no Oriente Médio.
O saque, em princípio, é
algo indefensável. Constitui uma forte característica do colonialismo
criminoso, no qual o mais forte explora, esfola e mata o mais fraco. Quando não
mata, deixa-o em frangalhos. A África é o melhor exemplo.
Porém, se você é fã do
consequencialismo, nesta hora de barbárie em que vivemos, inevitavelmente há de
considerar o comportamento de ingleses, franceses e americanos... O que não foi
saqueado está perdido!
Esta última frase é
complicada, mas a situação em si é complicada. Autoridades da UNESCO têm
afirmado: Alguma coisa precisa ser feita! Já que não há diálogo possível com
terroristas fanáticos (o pleonasmo aqui é pouco, em se tratando do Estado
Islâmico), subentende-se na fala destas autoridades que o grupo precisa ser
destruído, morto, dizimado. Isso não se fala em público, mas o
consequencialismo está claramente presente.
4-3, 4-1
Christopher Clarey, do The
New York Times de ontem (no caderno em colaboração com a Folha de S. Paulo)
escreveu: “Em uma tarde de verão em Sydney, em janeiro, dois ex-campeões de
Grand Slam, John McEnroe e Patric Raffer, jogaram uma versão abreviada de
tênis. Raffer ganhou a partida de exibição pelo estranho e truncado placar de
4-3, 4-1. É o que a turma quer, o que a TV quer.” O novo formato do tênis está
sendo chamado de Fast4.
Numa série de outros
eventos esportivos, medidas idênticas para abreviar o tempo de jogo, ou
torná-los mais rápidos, vêm sendo adotadas, afirma o jornalista americano, com
o intuito de atrair o público jovem.
O que o artigo não trata é
das possíveis causas do fenômeno. Não tenho muita dúvida de que a Internet tem
algo a ver com isso. Tudo agora precisa ser ágil, rápido, curto e grosso.
Na esteira dessa onda,
acaba de ser publicado o magistral Grande Sertão: Veredas, do Rosa, em
quadrinhos! “Nonada”: pra que enfrentar o texto original, difícil, intrincado,
aquela linguagem incompreensível de início, depois poesia pura, se podemos
encontrar a história em figurinhas?
E o que dizer de D.
Quixote de La Mancha, Guerra e Paz, As benevolentes? Ou de Cenas de um
casamento, de Bergman?
Em Nova Iorque, o que mais
se vê é gente comendo na rua, enquanto caminha. Para que perder tempo num
restaurante, pedir um bom vinho, examinar com calma o cardápio, comer devagar,
tomar um café?
Vivemos a era da
velocidade superficial. Pensar, nem pensar... Não há tempo.
Entretanto, este blog tem
publicado textos curtos, às vezes curtíssimos (microcontos, haicais, aforismos,
crônicas breves), o blogueiro convencido de que estes são os formatos
contemporâneos de maior aceitação da Internet.
O texto curto tem suas
vantagens. Se é bem explorado, se é razoavelmente bem escrito (agora não estou
falando deste Loucoporcachorros...), para quem pode pensar, ele dá o que
pensar. Para quem é incapaz de pensar, resta a rapidez e a superficialidade.
Um texto curto e
provocador há de despertar no leitor determinadas associações de ideias que são
próprias do leitor, são originais, capazes de provocar nele outras tantas ideias,
e propiciar o que pode ser chamado de expansão psíquica. O escrito inicial
serve apenas de motivação. É para isso, também, que se lê. Também é para isso
que o escritor escreve.
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