terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Diálogo de segunda-feira


...
– pela cara, você é vascaíno...
– e você torce pelo Fluminense.
– acertou.
– e você, como adivinhou?
– tá na cara.
– é mesmo.
– que merda, não?
– merdíssima.
– como foi acontecer?
– jogamos mal.
– culpa dos técnicos ou dos jogadores?
– de ambos.
– no último jogo, que lambança vocês fizeram!
– foi mesmo, coisa feia, estamos sendo chamados de vândalos.
– liga não, esta palavra agora serve pra tudo que não se explica.
– e você, por acaso sabe a explicação?
– coisa de gente, desde sempre.
...

Gesto histórico

A foto do dia.


Obama aperta mão de Raúl Castro no funeral de Mandela.


Foto: Getty Images

Carta de Natal às filhas


Queridas filhas,

não haverá de me causar surpresa se ocorrer algum estranhamento, produzido por uma carta de Natal dirigida a vocês, que bem conhecem minha descrença na religião, ou nas religiões melhor dizendo, incluindo o tal “espírito do Natal”. (Feliz Rainer Maria Rilke, homem religioso e grande poeta que, durante 25 anos consecutivos, de 1900 a 1925, enviou uma carta de Natal à sua mãe.) Portanto, não me peçam explicações ou justificativas, muito menos coerência; nem da arte de Rilke posso dispor. Apenas, aproveito o momento para senti-las mais próximas, enquanto escrevo a vocês, neste fim do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2013.
Os dias em que nasceram as minhas filhas estão entre os que considero os mais felizes de minha vida. A nossa convivência ao longo desses anos foi o que de melhor obtive nesta vida. Meu pai, por razões religiosas, dizia que este é um mundo de expiação e provas. Concordo com ele quanto ao efeito, mas por causas bem diversas, penso que se trata de um mundo onde predominam as frustrações, e não busco qualquer sentido que possa explicar tal afirmação. A não ser a falta de sentido mesma.
            Pois a presença de vocês empresta sentido à minha vida.
            Como em todas as relações humanas, ou entre humanos para ser bem preciso, há momentos de dificuldade também entre pais e filhos. Não poderia ser diferente, mesmo considerando o especialíssimo fato de que se trata de filhos e seus pais, todos humanos, consequentemente imperfeitos na origem.
            Borges afirma: “Uns quinhentos anos antes da era cristã aconteceu na Magna Grécia a melhor coisa registrada na história universal: a descoberta do diálogo”. Se tal descoberta é tão antiga, por que ainda é tão raro que seja praticada, tão difícil de se realizar? Por que os homens têm tanta dificuldade para aprender a conversar? Isso também se aplica a pais e filhos, e me incluo de corpo e alma em ambas as categorias, filho e pai.
            Há razões particulares para que pais e filhos, em determinadas circunstâncias, tenham dificuldade para estabelecer o diálogo. Isso pode parecer paradoxal: o amor não seria então suficiente para garantir o permanente diálogo entre eles? Não é suficiente. Onde há muito amor também há ódio, isso é humano e inevitável, mesmo em se tratando de gente do mesmo sangue.
            Admitir sentimentos menos virtuosos em nós mesmos, até com relação aos que mais amamos, pode nos facilitar o retorno ao diálogo, com a vantagem de nos propiciar algum aprendizado a partir desta experiência. Sem moralismos. Triste é quando nada aprendemos.
            A palavra perdão está gasta, pelo que costumo chamar de “sentimento religioso”. Prefiro a expressão “retorno ao diálogo”. Nisso o amor pode ajudar! O amor é um sentimento facilitador para a aproximação das pessoas. O ódio afasta, o amor aproxima. A oscilação entre estes dois sentimentos básicos do ser humano não deve ser vista como um problema, mas como oportunidade para aprender, enquanto estivermos vivos.
            Meu desejo é que tal oscilação incline-se cada vez mais para os sentimentos amorosos entre nós, o que há de preservar a concórdia, a paz e a tranquilidade para nossas vidas.
            Do pai que as ama muitíssimo, com renovado carinho,
andré.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A força de uma ditadura

A foto do dia.



Na Coreia do Norte, o tio do ditador Kim Jong-un caiu em desgraça, seja lá por que motivo for (acusado de corrupção, conduta depravada, jogatina, sabe-se mais o quê).
Além de preso, sua imagem foi banida literalmente da mídia.


O Brasil na rabeira


Os resultados do último Pisa, o teste internacional que inclui 65 países e que avalia alunos de 15 e 16 anos em várias áreas, são desanimadores: o Brasil segue na lanterna. Leitura: 55ª posição; Matemática: 58ª; Ciências: 59ª.
A tão decantada (pelo ministro da educação) melhoria em matemática não passa de uma enganação. Nesse ritmo, levaríamos 26 anos para atingir a média dos países ricos e 57 para alcançar os chineses. Isso, se eles ficassem parados na posição atual.
            E, por aqui, só se fala no Enem!
            Ninguém discute a importância da avaliação no processo ensino-aprendizagem, ela é fundamental. Porém, antes de avaliar, é preciso estabelecer um currículo mínimo, e informar aos professores o que se espera que eles ensinem.
            Não é preciso que as escolas sejam colocadas em camisas-de-força. Pode e deve haver espaço para variações regionais, e para isso os testes de avaliação atuais podem ajudar.
            O que me incomoda é que a mídia cai na conversa do incompetente MEC, que não faz outra coisa senão fazer propaganda do Enem, como se esta fosse a solução para a educação, e nem uma palavra sobre o que realmente importa, o conteúdo do ensino no Brasil.
E os professores, onde estão?
E as Faculdades de Educação das universidades brasileiras, não têm nada a dizer?
E as nossa melhores cabeças na área de educação, nada a dizer?
Os especialistas em Literatura, Matemática e Ciências, nada a declarar?
         Pasmaceira geral, e o Brasil na rabeira.