Apavorado com a violência na cidade, blindou portas e
janelas, estocou provisões, mas esqueceu-se de desligar a TV. Morreu de
infarto.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Um sonho guardião
Na solidão da madrugada escura, o marido rolava na cama e gemia
gemia gemia, atormentado por uma pedra no rim. A mulher, ao lado, dormia como
uma outra pedra.
Diante de um
gemido quase grito, ela despertou.
– Você está sentindo alguma dor?
– Sim.
– Tomou o remédio?
– Tomei.
A mulher voltou a dormir, pois nada mais podia
ser feito. Pela manhã, ao acordar de uma noite bem dormida, inteirou-se do
estado de saúde do marido, preparou-lhe um café restaurador, e contou o sonho
que tivera.
– Sonhei que ouvia seus gemidos, e perguntei se
estava sentindo alguma dor. Você me respondeu que não. Então continuei
dormindo.
Duas ideias me ocorrem diante desta realidade.
A primeira, bastante óbvia, é de que se trata de um ótimo exemplo de sonho
guardião do sono. Se o marido não sentia dor alguma, a mulher não precisava
despertar.
A segunda, pouco mais elaborada, porém bastante
evidente, e que pode incomodar as almas mais delicadas, diz respeito à natureza
humana. Depois de A interpretação dos sonhos (1900), de Freud, não resta dúvida
de que o sonho é manifestação do Inconsciente. E que o Inconsciente é o lugar
dos instintos, a nossa natureza mais primitiva, mais verdadeira. E esta
natureza reza: primeiro eu, depois o outro.
Acácia imperial
Com a chegada da Primavera, florescem as acácias, para alguns, as árvores mais lindas que há. A palavra é derivada do grego, Ákakos, passando pelo latim Acacius, com o significado de ingênuo, simples, sem malícia. (Kakós = mau, ruim; a = negação).
O termo "acaciano" deriva do nome de um personagem de Eça de Queiroz, O Conselheiro Acácio, de O Primo Basílio, caracterizado por falas banais e ridículas.
O vira-latas, editor deste Louco por Cachorros, considera-se um acaciano, e não se envergonha de continuar postando as notícias mais banais e desimportantes. Ele apenas se diverte.
Ref.: Deonísio da Silva, De onde vêm as palavras, Novo Século Editora, 2009.
Foto: A.Vianna, Brasília, out. 2012. (Do nosso quintal)
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Gabriela
Não é preciso qualquer razão especial para se postar uma foto da netinha, basta a sua formosura e o fato de que é minha netinha!
Foto: A.Vianna, Brasília, out. 2012.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
deus de costas
A – você viu o que aconteceu no Tribunal?
B – não; o quê?
A – um bate-boca daqueles!
B – é mesmo?
A – um ministro pregou uma peça...
B – e o outro não aguentou...
A – e então bateu o laptop e empurrou a cadeira!
B – e daí?
A – deu de costas e saiu da sala!
B – deus de costas?
A – sabe que até parecia...
B – e o que tem isso de tão extraordinário?
A – onde já se viu?; um ministro!
B – mas ele é gente, não é?
A – lá isso é...
Solidão
Sentimentos humanos fazem parte da chamada realidade psíquica. Às vezes são tão intensos, que podem ser captados por uma fotografia.
Foto: A.Vianna, Coromandel, MG, 2012.
recomeço
noite de tempestade
como na vida, a manhã
de sol e céu azul
Foto: A.Vianna, Brasília, outubro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Saracura três-potes
de manhã bem cedo, às vezes ao final
da tarde, aparecem as saracuras
três potes no fundo do quintal
Clique para ouvir o canto: http://www.youtube.com/watch?v=2ufkJi3MjiA&feature=fvwrel
Foto: A. Vianna, Brasília, 2012.
Nome comum: Saracura Três-potes
Outros nomes: Chirincoco, cocaleca, pone-pone
Nome científico: Aramides cajanea
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Rallidae
Outros nomes: Chirincoco, cocaleca, pone-pone
Nome científico: Aramides cajanea
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Rallidae
Características
Pernas e pés vermelhos com o tarso mais comprido do que o dedo médio. As saracuras são aves que vivem em pântanos e brejos, do sul da América Central ao Uruguai e norte da Argentina, alimentando-se de pequenos peixes, crustáceos, insetos e larvas. No Brasil existem duas espécies de saracuras três-potes, encontradas em todos os Estados, tanto no litoral como no interior. A saracura três-potes tem dorso castanho-esverdeado, pescoço e cabeça cinzentos; o peito é castanho-ferruginoso e o bico, amarelo-esverdeado. Vive em pequenos bandos, sendo muito comum no interior do sertão brasileiro onde constrói seu ninho no meio do junco, rodeado por água ou nas margens dos córregos, em meio a vegetação densa. Pequena e desajeitada, a saracura passa o dia escondida em silêncio, mas nas horas do alvorecer e do fim da tarde, ouve-se seu canto que diz claramente "três-potes - um coco - um coco", e que, segundo a crença popular, é prenúncio certo de chuva.
Fonte: www.felipex.com.br
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Precoce aprendizado
O menino construía pipas e as soltava: dava linha, dava
linha, até perdê-las de vista. Bem cedo aprendeu a perder.
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